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quarta-feira, 9 de abril de 2008

Viver numa correria

O nosso dia-a-dia é passado a correr de um lado para o outro. Vivemos, desde que acordámos, numa correria que só termina quando nos deitámos, à noite. E, mesmo assim, por vezes, é para dormir “a correr” que o toque de despertar é já daqui a pouco.
Passámos a vida numa correria desenfreada como se, de facto, fossemos a algum lado. Mas a verdade, é que não vamos... Ficámos cá.
Movemo-nos como que por inércia, por hábito, como se fossemos teleguiados. Corremos de um lado para o outro como se não nos fosse possível parar. Parece que somos movidos por uma estranha energia.
Hoje em dia só fazemos aquilo que nos traz contrapartidas – nem sempre boas, pois nem sempre as sabemos avaliar. Vivemos para ter mais: mais poder, mais dinheiro, mais comodidade. Deixámos de fazer isto ou aquilo só pelo gozo que nos dava fazê-lo.
Deixamos de nos preocupar com o vizinho do lado e só olhamos para nós próprios. Já não temos tempo para olhar para o lado.
Por vezes, vivemos tão a correr, que nem reparamos que somos nós próprios que estamos no espelho da casa de banho quando nos arranjamos de manhã.
Somos escravos do tempo. Temos de (re)aprender a controlar o nosso tempo, a fruir o tempo livre – por vezes pouco – que ainda temos. Aprender a gozar o nosso dia-a-dia. Afinal de contas, não vivemos para sempre.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Quando eu for grande...

O meu filho vai fazer cinco anos. Já?!... Está a crescer!
Nós, os pais, mal damos por isso mas o tempo está a passar (depressa demais).
Parece-me que ele está a crescer bem e que é um rapaz imaginativo e esperto. Recentemente, à pergunta “o que queres ser quando fores grande?”, respondeu que não queria ser grande; queria crescer, mas não queria ser grande.
Julgo que ele pensa que o mundo das pessoas grandes é um bocadinho chato. Eu concordo com ele. Por vezes, este mundo consegue encher-me de tédio. Chego mesmo a ter náuseas e vómitos das coisas que vou vendo (na rua e através da televisão).
Também eu, não raras vezes, desejo não ser grande. A verdade é que, de vez em quando, deixo mesmo de o ser e, como diz o meu filho, sou crescido mas sem ser grande. É preciso “fugir”! Deixar de viver a realidade e “viajar” para outro mundo. É preciso sonhar porque, só assim, conseguimos esquecermo-nos e alhearmo-nos, por pouco que seja, da realidade.